Eu Não Tenho Padrão de Artista

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Artista que é artista trabalha de graça e com o coração, e ai dele se disser que não.
Artista que é artista aceita qualquer migalha que o “patrão” lhe dá, e ai dele se não aceitar – ou reclamar.
Artista que é artista paga conta com satisfação, enche a barriga com sonho e mora na realização.
Artista que é artista ama a Arte acima de tudo e aceita calado qualquer trabalho sem custo.
Artista que é artista não tem direito ao
mínimo, transporte ele não precisa, alimentação também não, afinal o que importa é a satisfação.
Artista que é artista tem que se alegrar quando lhe oferecem qualquer tostão, e se ele pedir mais “AH MEU FILHO MAS QUEM É VOCÊ NESSE MUNDÃO?”
Artista que é artista é cobrado por falta de estudo, mas não arranja um trabalho que pague seus cursos.
Artista que é artista não pode reclamar do pouco que recebe, tem que ser feliz por estar fazendo o que ama e assim jamais deixar de ser alegre.
Esse Artista que é Artista não tá dentro do meu padrão, pois apesar de fazer arte com o coração, minhas contas ainda precisam ser pagas com um tanto de tostão.

No meu padrão
Artista que é artista tem que ser valorizado.
Artista que é artista também tem conta pra pagar.
Artista que é artista TAMBÉM faz por amor, mas não só por ele.
Artista que é artista precisa de portfólio, mas não só dele.
Artista que é artista também faz trabalho voluntário, quando ele QUER, quando ele PODE – e faz com amor e satisfação.
Artista que é artista estuda sempre que pode e chora quando o dinheiro não dá nem pra um livro do sebo.
Artista que é artista não é um ser perfeito ou celestial que tem que aceitar calado os pedidos esdrúxulos de seus “patrões” aproveitadores.
Artista que é artista também pode dizer não.
Artista que é artista sabe reconhecer quando a “oportunidade” é só um jeito mais ameno de dizer que ele terá que trabalhar de graça…mais uma vez.
Artista que é artista, é Artista por missão, por escolha, por amor e por TRABALHO.
Ter a arte como ofício é o que eu tenho, é o que sou.
E sem rima, porque com rima fica mais legal e nessa história todos se deram mal.

Dos encontros, reencontros e desencontros – Observações da vida

E que se encontrem, reencontrem e desencontrem.
Mas que acima de tudo façam bem um ao outro, que aprendam a confiar e o valor da confiança. Que o estar junto seja por alegria, por prazer, por vontade de crescer e não por poder – que este seja deixado de lado para que os dois possam fluir como a água e serem leves como o ar.
Que o estar longe seja feito também com prazer, com confiança, com mansidão – que este lhe faça bem, renove os sentimentos e fortaleça a união.

Que se desencontrem não por falta de sentir, mas por falta de existir, de se olhar por dentro e entender o que não cabe mais ali. Se desencontrem por falta de espaço de se valorizar, de se amar. De estar.
Que haja desencontro quando a alma não mais vibrar, quando o coração parar de pulsar e quando você se anular.

Que se reencontrem pelos motivos certos, se o sentimento ainda durar e o respeito voltar a reinar.
Que o reencontro seja fruto de algo bom e não de orgulho ferido e coração partido – que este já esteja cicatrizado, curado e preparado para o novo.
E que se for pra reencontrar que seja um reencontro revigorado, devidamente tratado e com chances de um futuro mais feliz.

Que aconteçam muitos encontros! Dos felizes, dos nem tanto, dos aprendizes da vida, dos alegres de graça, dos amantes, dos viajantes. Que todos os encontros, reencontros e desencontros tenham um único propósito: O DE FAZER FELIZ – porque ninguém nasceu pra viver de infelicidade consciente.
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(Que junto com todos eles nasça e renasça o amor – e que esse jamais nos falte)

A graça de Encontrar Certeza.

Eles entraram e ela  já os aguardava sentada há alguns minutos. Cada um se apresentou e fizeram uma dança meio parada. Seus olhos brilhavam e enchiam d’água a cada palavra que eles falavam, cada movimento, cada expressão. Já não era recente essa sequência de esperar, depois os olhos brilharem e em seguida se encherem d’água. Algo dentro dela se estremecia, os sentimentos afloravam e ela chorava, copiosamente chorava.
Neste dia ela chorou por eles, por vê-los ali aonde ela deseja um dia estar, por talvez sentir o mesmo que eles, afinal, ela também é um deles. Ela chorou por se imaginar ali, e nem se preocupou em enxugar as lágrimas, deixou que elas descessem  pelo seu rosto bem lentamente e pingassem no chão ou em suas mãos. Lágrimas como aquelas são tão sinceras e verdadeiras que não devem ser evitadas e nem enxugadas.

Foram uns 40 ou 45 minutos em que ela se emocionou com eles, com ela, com quem eles estavam fazendo, com aquelas histórias, histórias de pessoas que talvez um dia ela cruzou na rua ou que desejou ser. Era tão ela em tantas palavras, em tantos gestos, que ela não sabia mais se chorava por eles ou por quem eles eram naqueles minutos.  Mas isso não importava, pois aquele choro lhe dizia algo que ela estava quase compreendendo.
No final, ela se levantou e enquanto aplaudia chorava mais, queria segurar o choro e os lábios trêmulos, mas já não era possível, então ela chorou e teve certeza, seu coração pulsava, ela ria, chorava, seu coração pulsava, ela chorava. E teve certeza.
Ela sabia que se continuasse se emocionando daquele jeito dificilmente teria a incerteza do que escolheu, porque ninguém se emociona de graça, mas acha graça. Acha A Graça de se encontrar e ser feliz. Essa Graça que ela quer ser grata todos os dias. A graça de ser quem é, fazendo graça para os outros, ou dividindo um pouco da emoção que é achar a Graça quando se faz o que ama. Essas lágrimas que partem do interior de seu corpo ela quer distribuir, seja por graça ou emoção, ela só quer que todos tenham um pouco do que ela sente quando vê, se vê ou está no palco – seja ele qual for.

Correndo no Escuro

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Eu não escolhi gostar de arte. Eu não fiz conta, nem teste ou pesquisa. Eu não escolhi ter muito ou pouco dinheiro. Eu escolhi ser feliz – foi isso que eu respondi quando me indagaram sobre o que eu faria da vida. Ele disse: Nossa, você realmente escolheu não ganhar dinheiro. Eu respondi: Eu escolhi ser feliz. (Fim da conversa, mudou de assunto)
Eu já quis ser tanta coisa, já quis fazer tanta coisa e me perdi por tanto tempo. Mas eu sou nova, como dizem. Tenho tempo, tenho muito chão pela frente, posso arriscar. Decidi então arriscar ser feliz – e não quero mais perder tempo, ainda que tenha muito dele.
Mas então, eu não escolhi gostar de arte. Eu nem sei de onde veio todo esse amor. Faz tanto tempo. É um “desde sempre” que eu tanto neguei, quase renunciei. Mas aquilo ali é intrínseco. Estava tão alojado que não tinha o que fizesse sair de lá.
Então tá, não te nego mais, não te esqueço mais, te deixo me invadir por completo, te deixo me envolver, te deixo livre pra me levar e me fazer feliz.
Por mais incertezas que você me cause, por mais medo e receio. Por mais insegurança que eu sinta todos os dias, por enfim ter te escolhido e te assumido, por saber que com você eu sempre correrei no escuro, por tudo isso e muito mais, eu não desisto.
Eu te quero comigo, te quero presente em cada movimento do meu corpo, te quero por dentro, por fora, em todo lugar. Te quero pra minha vida toda.
Porque eu descobri que é contigo o meu destino, em todas as formas e maneiras que você se apresenta. É contigo.
Serás minha vida, meu ofício, meu sustento, meu futuro, presente e mais pra frente passado. Serás minha amada.
Eu não escolhi gostar de arte, mas depois de aceitá-la, agora ela é a minha escolha – pra hoje e sempre.

♪♪ ‘Mambembe – Chico Buarque’

Fragmentos (V) – Divagações sobre a felicidade.

Daí que agora, a única verdade sobre a minha vida, é a de que não sei o que vou fazer dela. E ninguém entende, pois eu já tenho meus 20 e poucos anos e talvez fosse obrigada a saber o quê fazer da vida. Mas eu não sei. E daí?  Não sei, apenas.

Mas são duas verdades: Eu não sei o que fazer da vida (primeira), mas sei que quero fazer o que me faz feliz (segunda).

Daí que me perguntaram por que eu estava fazendo aquilo e o que aquilo iria agregar a minha vida. E era tão simples de entender, mas mesmo assim eu respondi: – Agora eu vou fazer isso, e depois… Ah, e depois, se não der certo e não for isso, eu tento outra large (1)coisa, e continuo tentando, nem que eu leve a vida toda para descobrir. Talvez nessas tentativas eu tenha algum tipo de alegria, daquele tipo que a gente tem quando faz o que quer, do jeito que quer. E tropeça, e erra se ferra. Mas e daí? A gente aprende, reaprende se surpreende e vai vivendo.
Não dá pra viver infeliz, vazio incompleto.  Não dá cara!
Essa nossa ânsia de querer ter tudo de uma hora pra outra não dá. Leva tempo pra descobrir o que queremos de verdade. Mas e daí? Demora mesmo, o caminho é longo, mas e daí?
O que não dá é pra viver sofrendo de falta de felicidade e realização. Não dá cara!!

‘Fragmentos’ são pequenos parágrafos, frutos de uma inspiração súbita.
Não é um texto completo, mas tem grande potencial para se tornar um.

Fragmentos (IV) – Sobre a morte.

Para mim sempre foi muito comum querer morrer, e achava estranho quando algumas pessoas me diziam que nunca tiveram essa mesma vontade. Aprendi a conviver com esse desejo, a lidar com a vontade de suicídio, várias vezes por ano. Para mim não bastava querer sumir, como acontece com todo mundo, o suficiente para mim era acabar, chegar o fim.
A vida é um fardo, pesado e que carrego obrigatoriamente, a existência tornou-se um peso sobre meus ombros, cada dia mais difícil de carregar. Não consigo fazer da vida uma coisa boa já que estou nela, viver é pesado, é cruel. A gente vive pra morrer, apenas, passamos anos de nossas vidas tentando alcançar nossos desejos e tentando conquistar algo que não será nada depois que o caixão fechar. A gente vive pra morrer.

Não concordo com aqueles que chamam de fracos os que querem ou que acabam com sua própria vida. Na verdade eles é que são fortes  e corajosos, pois não sabem pra onde vão e não tem medo do que podem encontrar.
Fracos são os que tem medo da morte. Fracos e culpados.

Eu não tenho medo da morte, tenho medo de que ela demore a me encontrar.

Fragmentos’ são pequenos parágrafos, fruto de uma inspiração súbita.
Não é um texto completo, mas tem grande potencial para se tornar um.

Sobre a pressa e a calma – divagações sobre a vida.

Comecei andando rápido, antes por medo e hoje por pressa – e medo também.
Nunca mais soube andar devagar, e passo todo o tempo me policiando pra tentar reduzir a pressa de meus passos, que com a velocidade que tem, estão a um passo de uma corrida.

Eu invejo aqueles que têm calma em seus passos, me irrito ás vezes, pois não me conformo com tamanha lerdeza e não entendo que eles é que não sabem que eu é que vivo quase correndo.
Às vezes paro pra apreciar àqueles que andam devagarzinho, que conseguem sentir o vento passar por eles e não eles passarem pelo vento, o cortando ao meio. Eu aprecio aqueles que com calma conseguem notar os detalhes que eu dificilmente noto, pois meus passos não me deixam esquecer que eles precisam ser acelerados, cada vez mais. Eu preciso fazer tudo o que der em 1 hora de almoço; parei de apreciar a comida e uma conversa na mesa do restaurante. Optei por andar sozinha, pois assim não preciso me adequar aos passos de ninguém.

Calma(1)

A gente vive correndo e se você um dia pra reparar, vai ver que a maioria de nós vive acelerado. Corremos para atravessar a rua, pois não conseguimos esperar o sinal fechar, corremos para pegar o metrô, comemos andando, corremos para pegar o ônibus, para não  chegar atrasado no trabalho ou na faculdade e se não tem trânsito aceleramos o carro o máximo que pudermos. Entramos no ciclo vicioso do “fast”; não sabemos mais esperar por nada, nem por ninguém, queremos fazer várias coisas de uma vez só, mesmo que isso nos custe uma respiração ofegante e um cansaço constante. Nós apreciamos a pressa e nos irritamos com aqueles que apreciam a calma.

Não sei se nessa nossa qualidade de vida tão sem qualidades conseguiremos parar de ser tão apressados, pois a cada dia que passa eu percebo como a pressa nos é imposta e sem máscaras ou palavras bonitas, somos duramente obrigados a correr com tudo, e não temos tempo para fazer as coisas no nosso tempo. Não respeitamos o tempo de ninguém e nem o nosso, queremos tudo pra ontem, pra agora e permanecemos com nossas pernas inquietas.

Mas ainda temos tempo. Tempo de repensar e renegar a pressa. Podemos nos curar desse vício ou ao menos tentar, com calma.
Com calma…
Talvez ainda consigamos sobreviver a essa correria diária, sem precisar de doses fortes de remédios e terapia.